Apresentação


"Vou apresentar o meu batalhão
Uma bateria que não lhe dá sopa não"

Respeito, admiração, louvor e gratidão. É assim que o samba é tratado por Tuco e o Batalhão de Sambistas, expoentes da atual cena do samba da Paulicéia. Formado por sambistas que cultuam a tradição do samba de terreiro, mas que bebem na escola do choro e amam e valorizam os grandes sambas da Era de Ouro da nossa música popular, o Batalhão, capitaneado pelo excelente “crooner” Tuco, se prepara para lançar seu primeiro CD, “Peso é Peso”, gravado ao vivo nos dias 27 e 28 de fevereiro e que contou com as luxuosas participações de Monarco, Nelson Sargento e Cristina Buarque.

Fernando Pellegrino, o Tuco, foi fundador do extinto Morro das Pedras e também do Terreiro Grande, onde atua como cavaquinista. Foi nas rodas de samba que aprendeu a cantar em alto e bom som, no gogó, como se fazia no passado com nomes como Ventura, Noel Rosa de Oliveira e Jamelão. Suas interpretações também nos remetem a grandes nomes das rádios dos anos 30 e 40 como Francisco Alves e Ciro Monteiro. Criado neste ambiente informal, foi pelas rodas de samba da vida que conheceu os outros integrantes do Batalhão, todos sambistas estudiosos que aprendem com carinho o que os mestres do samba tanto tem a os ensinar.

“Peso é Peso”, o primeiro disco de Tuco, é fruto de anos de muita pesquisa e dedicação. Foram anos passados em sebos, rodas de samba, convivendo com alguns dos maiores nomes do ritmo mais tradicional do Brasil: Monarco e Cristina Buarque foram importantes fontes para o repertório do disco. Assim como do acervo de José Ramos Tinhorão, disponível para consulta no Instituto Moreira Salles, vieram outras “brasas” pouco conhecidas.

Um disco com tantos sambas inéditos de nomes como dos portelenses Paulo da Portela, Manacéa, Aniceto da Portela, Mijinha, Antônio Caetano, Picolino, Monarco, Chatim, Lincoln e Alberto Lonato; de sambistas da turma de Mangueira de estirpe de Zé Ramos, Nelson Sargento e Marreta, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito; e de imperianos do quilate de Antenor do Império e Silas de Oliveira, é mais do que um simples registro fonográfico, é um documento histórico.

E se a história se faz pelos fatos de um passado que já foi presente e que é justamente o que estamos vivendo agora, este documento musical não poderia ter músicos tão bem escolhidos. Jorge Garcia e Alfredo Castro são também batuqueiros do Terreiro Grande e formam uma dupla de tamborins como há muito não se via. Alfredo também toca cuíca e agogô e Jorge, agogô. 

Rafael Toledo toca agogô, tamborim, reco-reco, caixa e quando toca pandeiro faz uma excelente dupla com Roberto Amaral, que também executa o instrumento no Núcleo de Samba Cupinzeiro.  Donga faz a marcação com muita malandragem. Ele que foi um bamba do Morro das Pedras.

    

Junior Pita é o violonista. Exibe muita tranqüilidade e esmero em suas interpretações. Lucas Arantes, cavaquinista de samba e de choro, faz um centro perfeito, além de solar carinhosamente bem na faixa ‘Ironia”, de Ismael Silva e Nilton Bastos. João Camarero, violão de 7 cordas, é o maestro do Batalhão. Formam um entrosado regional. 

   

O coro é um caso a parte, pela excelência alcançada por seus componentes. De um lado, Keila Santos, com sua bela voz, Francineth, ex-integrante do lendário conjunto vocal “As Gatas” e Cristina Buarque, que dispensa apresentações. 

   

Do outro, Rafael Loré, potente voz do “Glória ao Samba”, Janderson Buiú, companheiro de samba de Tuco na Baixada Santista e Fernanda Paiva, mineiro bom que também ajudou a montar o repertório. O respeito aos antigos compositores, intérpretes, instrumentistas e arranjadores do passado faz com que arranjos das músicas, feitas por Tuco e João Camarero, sempre privilegiem sua roupagem original, sem limitar a criatividade e improviso dos músicos envolvidos.

Texto: André Carvalho
Fotos: Agnaldo Rocha



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