quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tuco e Batalhão convidam Élton Medeiros



Está chegando a hora rapaziada. Pra fechar o ano com chave de ouro Tuco e o Batalhão de Sambistas recebem o compositor Élton Medeiros no clube Anhanguera (São Paulo) dia 16/12 e no Tonicos's Boteco (Campinas) dia 17/12.

Nascido no Bairro da Glória, no Rio de Janeiro, Élton Antônio Medeiros começou a compor seus sambas ainda menino, ao fundar com o irmão e alguns amigos da vizinhança um pequeno bloco carnavalesco, que mais tarde se tornaria o "União do Amor". Em 1953 entrou para a Escola de Samba Aprendizes de Lucas, onde ficou responsável por organizar a ala de compositores. 

Durante os anos sessenta frequentou o Zicartola, época em que compôs com Cartola o samba "O Sol Nascerá".  Participou de diversos grupos como "A voz do Morro" e " Os Cinco Crioulos", além do musical Rosa de Ouro e do antológico disco "Os quatro grandes do Samba" ao lado de Candeia, Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Em sua lista de parcerias figuram nomes importantes como Mauro Duarte, Cartola, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Zé Kéti, Paulo Vanzolini entre outros bambas.

E um convidado desse quilate, pede uma noite igualmente especial. Élton vem com tudo! Promete cantar sambas inéditos, nunca cantados nem mesmo em apresentações. São sambas de seus parceiros da Aprendizes de Lucas: Aquiles Medeiros (irmão de Élton), Tião MacumbeiroColher e outros bambas.



Ouça abaixo o samba-enredo da Aprendizes de Lucas para 1954, composto por Aquiles Medeiros, Élton Medeiros e Tião Macumbeiro em homenagem ao quarto centenário de São Paulo. Um grande abraço ao amigo Paulo Mathias, do Glória ao Samba, que nos apresentou esse belo samba!




Pra ir entrando no clima:
Aprendizes de Lucas e Unidos da Capela

Desfile da Aprendizes de Lucas

Os trilhos da Estrada de ferro Leopoldina, no subúrbio do Rio de Janeiro, quando atravessavam a estação de Parada de Lucas, tinham dupla função. Além da natural, a ferroviária, serviam de linha divisória para uma amistosa e musical batalha. De um lado, a quadra da Escola de Samba Unidos da Capela, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro. De outro, os batuqueiros da Aprendizes de Lucas, não menos afamada agremiação de bambas.

Como era comum no inicio dos anos 40, as duas escolas também tinham padroeiros. Ali, em cada lado da linha existia uma igreja, ambas próximas das quadras. Perto da Aprendizes de Lucas, que trajava verde e branco, a de São Sebastião. No lado oposto, padroeira dos sambistas de azul e branco da Unidos da capela, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Havia certa rivalidade entre as duas escolas. Amistosa e saudável, que não passava das provocações feitas em sambas trocados. Mas o habitual era os componentes de uma ou de outra atravessarem a linha e se confraternizarem na quadra "adversária".

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A Aprendizes de Lucas foi das primeiras escolas a aparecer. Fundada em 15 de novembro de 1932, tinha curiosamente entre seus fundadores um compositor chamado Cartola, o Cartola de Lucas, diretor de harmonia. Apesar de suas modestas finanças a Escola reunia sambistas de qualidade, mas nunca chegando a ser campeã.

As melhores apresentações foram em 1950 e 1951, ao desfilar com os enredos “Cidade Alta e Cidade Baixa” e “Homenagem Ao Rio Grande do Sul”. Em ambas foi vice-campeã. Mas a qualidade ficou patente quando, em 1954, 1955, 1956, 1957 e 1958, classificou-se abaixo apenas das chamadas grandes escolas: Mangueira, Portela, Império Serrano e Salgueiro, sempre em quinto lugar naqueles anos.

A Unidos da Capela também foi fundada no princípio dos anos 30, em 15 de Janeiro de 1933, oriunda de um clube de futebol bastante conhecido no subúrbio da Leopoldina. Segundo os historiadores Amaury Jório e Hiram Araujo no livro “Escolas de Samba em Desfile”, a Unidos da Capela tem uma primazia: "Foi a primeira escola a ter entre seus filiados homens de cor branca”, fato este sempre lembrado pelo saudoso Calça Larga do Salgueiro. Deve-se ainda à Capela a criação da Ala dos Ritmistas, sendo seu criador Eokner da Silveira (Baianinho). No final da década de 50, possuía a Capela a melhor bateria de escola de samba, conhecida como a 'Tabajara do Samba"'.

A Capela chegou a ser campeã em três oportunidades: em 1950, no desfile da praça Onze, em 1960, campeã no famoso desfile que deu o título a cinco escolas (além dela, Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano), e por fim, em 1963, desta vez no Grupo 2.

No último ano em que as duas escolas desfilaram, 1965, a Unidos da Capela apresentou o enredo “Rio de Ontem e de Hoje”, ficando com o quinto lugar. A Aprendizes de Lucas desfilou com “Progressos e Tradições do Rio” obtendo a sétima colocação.

Nasceu então a idéia de o subúrbio de Lucas unir forças em torno de uma única escola de samba. Eliminar a fronteira dos trilhos ferroviários, somar as baterias, os compositores, os componentes sob uma só bandeira. As adesões foram acontecendo, as reuniões se sucederam e, em breve, surgia o "Galo de Ouro da Leopoldina". Como o galo é uma ave cantora por excelência e representa por isso mesmo o samba, foi escolhido como símbolo da nova agremiação.

O nome teve origem na fusão da Unidos da Capela com a Aprendizes de Lucas, resultando no Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Lucas. Melhores padrinhos a nova escola não poderia ter, já que para tanto foram convidados o poeta Vinicius de Moraes e a cantora Elizeth Cardoso. Aliás, a Divina Elizeth assumiu por completo suas funções e mesmo quando a Unidos de Lucas caiu para o grupo 2, não deixou de desfilar com a Escola.

O grande destaque do Grêmio de Lucas sempre foi a qualidade de seus compositores. Presidida no inicio por Ari Valério, a Ala de Compositores tinha em seus quadros nomes da grandeza de Elton Medeiros, seu irmão Aquiles, Tolito, Nelson Pechincha, Ledyr, Baianinho, Nilton Russo, Carlinhos Madrugada, Zeca Melodia, Austeclínio e outros bambas. A fusão não colocou a Unidos de Lucas entre as grandes, mas a Escola nunca deixou de representar à altura o subúrbio Leopoldinense.


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